No dia 16 de maio (2011) tive a oportunidade de falar na Academia de Ideias, a questão era “O livro vai acabar?” e fez parte do curso “Reflexões sobre o mundo hiperconectado – A vida na era da convergência” dado pela equipe da Voël do qual faço parte. Tentei a todo custo não cair na velha forma dicotomica de analisar fatos e tendências. O foco é justamente levantar as tantas perguntas que permeiam a indústria do impresso e seu futuro em meio a presença crescente de tablets, e-books e números, como o da Amazon, mostrando o aumento da venda de e-books em comparação aos livros impressos. O gráfico abaixo ilustra isso:

Como me interessa mais formular boas perguntas me diverti com as seguintes:
- Quais mudanças a leitura na tela introduzirá no que até hoje abordamos virando as páginas dos livros?
- O que ganharemos com os novos livrinhos (brancos, retos, de duas telas, etc) e o que perderemos?
- Quais os livros encerram os conhecimentos e devaneios que a humanidade acumula desde que se viu em condições de se escrever?
- Estamos sendo fiéis à sua função característica que é guardar em lugar seguro o que o esquecimento ameaça sempre destruir?
Para Daniel Pinsky, sócio-diretor da Editora Contexto, as editoras devem aproveitar a oportunidade que essa nova plataforma pode oferecer e diz que “a digitalização, combinada à internet , vem contribuindo para que setores inteiros da industria editorial tenham de se adaptar, ou correr um grande risco de desaparecer, como no caso das editoras de referência (enciclopédias e dicionários)”.
Já para Roger Chartier trata-se de uma revolução, ele diz “…o computador: ele não representa a morte do livro. A tela é apenas uma espécie de novo suporte para os textos, assim como o foram os códices [o livro montado em cadernos]. Por isso eu a considero uma nova revolução. O que está sendo distribuído pelas redes eletrônicas são textos”.
Podemos ainda considerar as diversas declarações, entrevistas e livros de Umberto Eco sobre o assunto, mas finalizo esse post com o que diz Paulo Coelho sobre essa história, para ele “o ponto é que nós queremos, antes de mais nada, compartilhar algo“, diz o escritor, que ainda critica a indústria – ela estaria “pensando em direção oposta à de nossa realidade hoje“. Para o escritor a ganância “não entende que o mundo mudou”, e a ignorância “pensa que, se a música está disponível gratuitamente, as pessoas não comprarão o CD”.
E você o que acha de tudo isso, como tem feito suas leituras?
